
• A verdade sobre os pretensos ataques de tubarão no Rio.
Marcelo Szpilman diretor do Instituto Ecológico Aqualung - 29/04/03 - 00:58h
A verdade sobre os pretensos ataques de tubarão no Rio
Como biólogo marinho, especialista em peixes marinhos, e diretor do
Instituto Ecológico Aqualung, me sinto na obrigação de esclarecer o que vêm
ocorrendo no litoral do Rio.
Fatos absolutamente isolados estão sendo reunidos, de forma oportunista,
para criar falsos alarmes de perigo de ataque de tubarão, gerando medo e
insegurança para a população do Rio.
Fato 1 - Na 5ª feira, dia 24, um praticante de para-pente informa ao Corpo
de Bombeiros ter avistado dois tubarões na praia da Barra, gerando o
primeiro "alarme" sobre tubarões no litoral do Rio.
Comentários: no litoral do Rio vivem diversas espécies de tubarões há
milhões de anos. Avistar alguns espécimes em uma dia com águas claras e
quentes, ainda que seja uma curiosidade, não é nenhuma novidade e não
representa nenhum tipo de ameaça.
Fato 2 - Na 5ª feira, dia 24, um banhista, pegando jacaré na praia de
Copacabana, alega ter sido mordido por um tubarão. Sofreu cortes em dois
dedos da mão direita.
Comentários: não há evidências que comprovem ter sido um ataque de tubarão.
Uma mordida de tubarão não provoca "cortes" no dedo. Ataques de tubarão no
Rio são muito raros e absolutamente improváveis. O último registro de ataque
de tubarão em Copacabana foi em 1947 e mesmo assim foi um acidente e não um
verdadeiro ataque.
Fato 3 - Na 6ª feira, dia 25, um pescador captura em Grumari, com uma rede
de pesca, um tubarão da espécie ´Mako. O exemplar é mostrado ao público como
um troféu e passam a relacionar sua captura com o pretenso ataque em
Copacabana.
Comentários: cações e tubarões, de diversas espécies, incluindo o Mako, são
capturados todos os dias pelos pescadores. Esses tubarões capturados são
comercializados nas peixarias e mercados. Relacionar a captura de um tubarão
Mako com o ataque de Copacabana é, no mínimo, uma irresponsabilidade.
Afirmo, categoricamente, como especialista, que os dois fatos são isolados e
nada têm a ver um com o outro.
Fato 4 - No sábado, dia 26, um grupo de banhistas, na praia da Joatinga,
arrastam para fora da água um tubarão e o matam a pauladas na areia.
Enquanto batiam no animal, um dos banhistas foi "arranhado" pelos dentes do
tubarão.
Comentários: estive no sábado no 2º G-Mar, da Barra, para onde foi levado o
tubarão, inicialmente chamado de tigre, e o identifiquei como sendo da
espécie mangona. Existiam vários relatos desencontrados sobre como e porque
o animal apareceu na praia. No entanto, dizer que ele estava perseguindo
alguém e encalhou na areia, certamente é falso. A mangona é muito comum no
litoral Sudeste, porém não costuma chegar tão próximo da arrebentação, muito
menos no raso. Não é uma espécie agressiva e, absolutamente, não é perigosa.
Não há registros de ataque no Brasil. Essa espécie, inclusive, encontra-se
em perigo de extinção.
As fotos mostrando os banhistas arrastando o tubarão pela cauda para
fora da água indicam que o animal estava morimbundo, pois nenhum homem, por
mais forte que seja, consegue capturar e arrastar um tubarão são (sadio e
vivo) para fora da água. Mesmo ferido e quase morrendo um tubarão, ou
qualquer outro animal com dentes afiados, pode ser perigoso se acuado e
agredido. O arranhão sofrido por um dos banhistas demonstra isso.
Não há mudanças no meio ambiente e nem fenômenos atípicos que possam ser
utilizados como argumento para o aparecimento de tubarões nas praias. A
ocorrência de tubarões em nosso litoral sempre foi e continua sendo um fato
muito comum. Não há nenhuma razão plausível para alertas sobre perigo de
ataque.
É lamentável e muito ruim para a imagem do Rio de Janeiro termos falsas
notícias sobre ataques de tubarões, que, se não esclarecidas a tempo, podem
vir a provocar pânico.
Marcelo Szpilman
Diretor
Instituto Ecológico Aqualung
Rua do Russel, 300 / 401, Glória, Rio de Janeiro, RJ. 22210-010
Tels: (21) 2558-3428 ou 2558-3429 ou 2556-5030
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